PSD, IL, Chega e PAN aprovaram ontem na Assembleia Municipal de Sintra uma iniciativa conjunta reivindicando junto do governo a passagem da gestão dos hospitais da Amadora e de Sintra para um modelo de Parceria Público Privado (PPP). Em vez de exigirem reforço de meios e medidas para melhor gestão, propõem entregar unidades de saúde e o investimento que o Município de Sintra fez no novo hospital aos interesses privados, avançando com a desarticulação do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O Bloco de Esquerda de Sintra opõe-se a esta ideia, que considera altamente lesiva do SNS, bem como do interesse público e das populações, pois recupera um modelo que já deu provas de não ser fiável no hospital Fernando Fonseca e no país, cuja implementação significaria, na prática, acabar com Unidade Local de Saúde (ULS) de Amadora Sintra, fragmentando a rede de cuidados, ou passar para a esfera privados a gestão de toda a ULS e, dessa forma, dos cuidados garantidos pelos centros de saúde a mais de 700 mil pessoas dos dois municípios.
A iniciativa é justificada com o argumento de que “a experiência nacional e internacional demonstra que este modelo de gestão pode contribuir para maior flexibilidade administrativa, investimento mais célere em infraestruturas e equipamentos, e uma gestão mais orientada para resultados”. Curiosamente, nada é dito sobre o pouco empenho e falta de investimento do Ministério da Saúde e do governo para responder às insuficiências do SNS, nem sobre a evidência que contraria esta visão dourada sobre a gestão privada da saúde.
Importa recordar que, em Portugal, as PPP da saúde têm um histórico de más contas, de não assegurarem todos os cuidados, de limitarem resposta de cuidados oncológicos ou tratamentos com medicamentos mais caros, de precarização da força de trabalho (profissionais de saúde e dos serviços que garantem todo o funcionamento) e até, como se viu na pandemia, de fuga às responsabilidades para com a comunidade.
As limitações do modelo de PPP da saúde surgem descritas em vários relatórios da Entidade Reguladora da Saúde e do Tribunal de Contas e em literatura científica, onde são descritas falhas, lacunas e incumprimentos nas PPP hospitalares portuguesas, com destaque para incumprimento dos tempos máximos de resposta, resultados clínicos desfavoráveis em alguns indicadores, desarticulação da rede de cuidados, aumento das listas e dos tempos de espera, falhas de desempenho e incumprimentos contratuais ou, entre outros, incumprimento de requisitos contratuais de disponibilidade da urgência. No caso concreto do Hospital Amadora Sintra, estão documentados casos que põe em causa a fiabilidade da faturação, transparência e controlo do contrato, com danos para o Estado.
Perante esta vontade de transformação radical do SNS, o Bloco de Esquerda de Sintra reafirma que as dificuldades que o serviço público de saúde atravessa não se resolvem com privatização mas sim com investimento no SNS, dotando-o de condições e meios para continuar a promover e a proteger a saúde das populações, a qualidade de vida das pessoas e o desenvolvimento do país.
Sintra, 1 de Outubro de 2026
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